As cardiopatias congênitas, alterações estruturais ou funcionais do coração que se desenvolvem ainda durante a gestação, afetam aproximadamente uma em cada 100 crianças nascidas vivas. O tema foi abordado pelo cirurgião cardíaco Vinícius Nina, durante entrevista ao programa ‘Mais Saúde’, exibido pela TV Assembleia, neste domingo (14) destacando a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento especializado para aumentar as chances de tratamento e cura.
Segundo o médico, as alterações cardíacas podem surgir a partir da oitava semana de gestação e, por isso, o acompanhamento pré-natal é essencial para identificar possíveis problemas ainda durante a vida intrauterina.
“Qualquer criança que nasce com alteração na estrutura ou na função do coração é considerada portadora de cardiopatia congênita. Hoje, o pré-natal permite identificar muitas dessas alterações ainda durante a gestação, possibilitando o planejamento do tratamento logo após o nascimento”, explicou.
Vinícius Nina ressaltou que exames como o ultrassom morfológico e o ecocardiograma fetal são fundamentais para detectar precocemente as malformações cardíacas. Em alguns casos, a criança pode necessitar de intervenção cirúrgica logo nos primeiros dias de vida.
O especialista também esclareceu a diferença entre as cardiopatias congênitas e as doenças cardíacas adquiridas ao longo da vida. Enquanto as primeiras estão presentes desde o nascimento, as demais podem surgir devido a fatores como hábitos de vida inadequados, predisposição genética e envelhecimento.
Conscientização e diagnóstico
O médico destacou ainda a importância do Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita, celebrado em 12 de junho. A data foi escolhida estrategicamente para coincidir com o Dia dos Namorados, utilizando o simbolismo do coração para ampliar a conscientização da população sobre a doença.
“É uma campanha que busca sensibilizar profissionais de saúde, pais e futuros pais sobre a importância do pré-natal e do diagnóstico precoce. Existe um apelo emocional muito forte e isso ajuda a levar informação para mais pessoas”, observou.
Professor do curso de Medicina da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e integrante do Hospital Universitário da instituição, Vinícius Nina participou recentemente de um projeto inovador de telemonitoramento cirúrgico em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
A iniciativa permite que equipes médicas de diferentes regiões do país realizem procedimentos de forma colaborativa, utilizando transmissão em tempo real de áudio e vídeo dentro das salas cirúrgicas.
“Nós operamos cerca de 50 crianças dentro desse projeto. A tecnologia permite que equipes experientes acompanhem e orientem procedimentos realizados em locais mais remotos, como se todos estivessem na mesma sala de cirurgia”, explicou.
De acordo com o cirurgião, o modelo já vem sendo adotado em estados como Amazonas, Minas Gerais e Paraíba, ampliando o acesso de crianças a tratamentos especializados.
Atendimento humanizado
Além dos desafios clínicos, o diagnóstico de uma cardiopatia congênita também exige acolhimento emocional das famílias. Para isso, o atendimento é realizado por equipes multidisciplinares formadas por médicos, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais.
“Tudo o que envolve o coração gera muita ansiedade. Muitas vezes a criança precisa passar por mais de uma cirurgia e isso traz angústia para os pais. Por isso, buscamos esclarecer todas as dúvidas quantas vezes forem necessárias, sempre de forma humanizada”, destacou.