A coluna Feira em História, assinada pelo jornalista Zadir Marques Porto, traz fatos históricos e curiosos sobre a cidade
Desde muito cedo vivendo grandes acontecimentos sociais na Terra de Senhora Santana, ele começou o colunismo social no centenário jornal Folha do Norte, marcando o seu trabalho nos diversos órgãos de comunicação, onde tem atuado, pela seriedade na informação. A religião e as causas sociais sempre fizeram parte da sua agenda. Na infância foi cantor e, na juventude, autor da música É Madrugada, vencedora do concurso da Micareta de 1970. Também escreveu um livro.
Decano dos jornalistas sociais ou colunistas sociais da cidade, como são mais conhecidos os especializados na área, o feirense Oydema Ferreira (Oydema Torres Ferreira) é muito mais que uma pessoa que se dedica a escrever sobre a sociedade por conhecê-la, intrinsecamente, desde os primeiros passos, pois dela sempre fez parte. Também escritor, autor do interessante livro Retalhos da Minha Cidade, no qual deixa de forma inquestionável sua vivência e amor à Cidade Princesa, ele começou no centenário Folha do Norte, berço de vários outros jornalistas, como seu antecessor Eme Portugal.
Suntuosas festas eram propiciadas pela sociedade da Terra de Senhora Santana e Oydema, ainda garoto, participava desses eventos, como o enlace matrimonial de Terezinha Pinto da Silva e o tenente da Marinha, Afrânio Pinto dos Santos, que, talvez, tenha começado a despertar seu interesse pelo jornalismo social, apesar da tenra idade. Pode-se dizer que ele viveu do florescer à plenitude da alta sociedade local e, já adolescente, esteve presente a marcantes eventos, como datas natalícias de João Marinho Falcão, Eduardo Froes da Mota e da própria família, encabeçada por seu pai, Manoel da Costa Ferreira, "Maneca Ferreira", e sua mãe, Josina Torres Ferreira.
O colunismo social tornou-se praticamente obrigatório nos grandes veículos de imprensa do país, a partir do Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa e Capital Federal, onde Ibrahim Sued surgiu com enorme sucesso em meados da década de 1950, impulsionando o segmento, que já existia de forma tênue. Em Feira de Santana, Emme Portugal ou M. Portugal (Emanuel Portugal) assemelhou-se a Sued, ganhando status como um dos mais destacados, ou mesmo o mais importante colunista da Bahia, com espaço em jornais e programas semanais nas rádios Cultura e Sociedade de Feira.
Bem mais jovem que ele, Oydema começou no início da década de 1970, com linhas objetivas e sérias, mostrando o âmago social como fato jornalístico, afirmando-se pela condução do seu trabalho. Com o surgimento do Clube de Campo Cajueiro (CCC), em 1962, a existência do Feira Tênis Clube (FTC), fundado anteriormente, em 1944, e ainda a implantação da moderníssima Boate Jerimum do "Carro de Boi", a efervescência social adquiriu maiores contornos com a realização de grandes festas e muitas delas ganharam o selo de qualidade do jornalista Oydema Ferreira. Sem a preocupação prioritária da exata ordem cronológica e local de realização, vale aqui citar eventos inesquecíveis por ele promovidos, como "Noite dos Destaques", "Destaque do Ano", "Gente que Brilha" e "Noite de Debutantes". Fato notável nessa trajetória foi a amizade por ele mantida com a saudosa cantora Emilinha Borba, até hoje referenciada como um dos maiores nomes da música brasileira.
Em 1995, foi fundamental a presença do colunista social como presidente da comissão da Festa de Senhora Santana para a realização do evento com um brilho especial, num verdadeiro resgate às comemorações. Graças à sua ação, ao lado do pároco da Catedral, padre Abel Pinheiro, foi criado o Coral de Sant'Ana Mestra. Também em 1995 houve a Feira da Paróquia e o Natal na Praça, além do lançamento do CD do Coral de Sant'Ana Mestra, enviado ao Vaticano, museus de músicas, Biblioteca Nacional e a diversas catedrais.
Assim, não se pode imaginar Oydema Ferreira como um jornalista apenas voltado para os eventos da alta sociedade e indiferente ao cotidiano da coletividade, onde são grandes as carências. Sua infância, marcada pela fé e presença espontânea na então Matriz – hoje Catedral de Senhora Santana – e outros templos católicos, conduziu seus passos à realização de campanhas filantrópicas e ações que muito têm contribuído para amenizar dificuldades de parte da população menos favorecida, a exemplo da Campanha do Cobertor e Missa pelos Velhinhos, marcada pela distribuição de cestas básicas.
Discreto e respeitoso, ele sempre esteve presente às efemérides da comunidade e, ainda bem garoto, apresentou-se com êxito cantando no auditório da extinta Rádio Cultura, no programa dominical Brasil de Amanhã, apresentado pela professora Alcina Dantas, que revelou o saudoso radialista Itajay Pedra Branca, Leny Madalena, David Silva, Olney São Paulo, Dega (Nilton Bellas Vieira) e tantos outros talentos. Ainda no campo musical, em 1970, com a composição É Madrugada, interpretada por Dilma Ferreira, o colunista Oydema Ferreira foi o vencedor do concurso para escolha da melhor música da Micareta, promovido pelo extinto Jornal da Bahia, diário da capital, com circulação estadual. Com mais de meio século em páginas de jornais como Diário de Notícias, Estado da Bahia, Gazeta Feirense, Noite e Dia, A Tarde, Jornal da Bahia, Tribuna da Bahia, Feira Hoje, além da Folha do Norte, onde começou, Oydema Ferreira continua informando os acontecimentos sociais – de forma imutavelmente criteriosa – no diário local Folha do Estado.
Por Zadir Marques Porto