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Outubro Rosa: veja como dar notícias difíceis em casos suspeitos no exame de mama

Chamado Radnews, o protocolo foi desenvolvido para facilitar a comunicação de resultados tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde du...

11/10/2026 12h09
Por: Redação Fonte: Secom SP
O protocolo, chamado Radnews, foi desenvolvido para facilitar a comunicação de resultados tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde - Foto: Divulgação/Governo de São Paulo
O protocolo, chamado Radnews, foi desenvolvido para facilitar a comunicação de resultados tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde - Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Outubro é o mês de conscientização e prevenção do câncer de mama. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 78.610 novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028. Nesse cenário, um protocolo criado por pesquisadores do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Inrad-HCFMUSP) orienta médicos e outros profissionais da saúde sobre como conduzir a comunicação com pacientes durante o diagnóstico.

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A médica radiologista Natália Ceccaroni Orthmann explica que transmitir informações à paciente após a realização do exame é um processo delicado, inclusive para os profissionais. “Quando a paciente vem até nós para fazer os exames, a nossa intenção é entender o que está acontecendo naquele contexto e enunciar do melhor jeito possível, trazendo tanto os achados benignos e os suspeitos. Quando a gente chega nesse momento dos suspeitos, é a hora que a gente tem um pouquinho mais de dificuldade.”

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Comunicação de notícias difíceis

O protocolo, chamado Radnews, foi desenvolvido para facilitar a comunicação de resultados tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde. A proposta foi apresentada em artigo publicado na RadioGraphics, revista científica da Radiological Society of North America (RSNA).

Segundo Natália, o objetivo é oferecer ao radiologista uma orientação para comunicar de forma clara a possibilidade de um achado suspeito. “A gente criou pensando na facilitação do radiologista para a comunicação de uma notícia difícil, que é um achado suspeito, porque nem sempre tudo que a gente acha na mama é um câncer.”

“Muitas vezes são lesões benignas ou com alguma coisinha diferente, que é a atipia, e, a partir dali, às vezes é necessária uma investigação. Mas todo paciente fica ansioso para saber.”

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Natália explica que existem outros protocolos de comunicação na medicina. Ela cita o protocolo Spikes, voltado à comunicação de notícias difíceis, especialmente em situações oncológicas. De acordo com ela, esse protocolo considera a relação construída por meio do contato entre médico e paciente, realidade que nem sempre ocorre com os radiologistas.

O radiologista participa de apenas uma das etapas da jornada da paciente, enquanto os próximos passos são conduzidos pelo médico solicitante. “Nesse processo de passar por nós, a gente tenta deixar do jeito mais claro possível para um leigo, que não é da área da saúde, entender.”

Um protocolo universal

O material foi desenvolvido para contemplar diferentes realidades e também poder ser utilizado por médicos de outros países. “A gente sabe muito bem que há uma diferença de saúde, de estrutura de saúde entre todos os países. E o Brasil tem suas particularidades. Então a gente tentou deixar um protocolo mais uniforme e universal.”

A médica ressalta ainda a importância de preservar o histórico dos exames. Segundo ela, os exames funcionam como documentos das pacientes e podem ser necessários para que os médicos compreendam padrões de envelhecimento e acompanhem alterações ao longo do tempo.

A mamografia é um dos principais exames utilizados na investigação do câncer de mama e, conforme a indicação médica e as diretrizes adotadas, pode ser complementada por ultrassonografia ou ressonância magnética. De acordo com Natália, nem todo resultado suspeito significa câncer, mas, diante de determinadas alterações, pode ser necessária a realização de biópsia ou punção — procedimentos seguros e minimamente invasivos utilizados para coletar células ou tecidos e confirmar ou descartar a suspeita.

Na avaliação da especialista, independentemente do resultado do exame, a comunicação deve ser conduzida com cuidado e empatia. O diagnóstico começa no exame, mas não termina nele. Por isso, a orientação sobre os próximos passos também é fundamental.

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