Os turistas que chegam à região do Caparaó para conhecer o Pico da Bandeira acabam encontrando outro atrativo nas montanhas do município mineiro de Espera Feliz, na Zona da Mata: os cafés especiais produzidos por pessoas como a agricultora Luiza Lacerda e sua família, na região cafeeira conhecida como Matas de Minas.
Filha e neta de cafeicultores, a produtora de 29 anos viu a propriedade dar um salto de renda e reconhecimento ao deixar de vender apenas o café cru para investir na torrefação, na criação de marca própria e na venda direta ao consumidor. “Os turistas vinham para subir o Pico da Bandeira e aproveitavam para tomar um café. Hoje a gente fala que eles vêm para tomar um café e aproveitam para subir o Pico da Bandeira”, brinca Luiza.
A experiência da cafeicultora é um exemplo dos resultados do Programa de Verticalização da Cadeia Produtiva do Café, desenvolvido pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) . A iniciativa apoia agricultores familiares no beneficiamento e comercialização do próprio café, incluindo etapas como torra, moagem e criação de rótulos, agregando valor ao produto.
A família da Luiza, que produz cerca de 200 sacas por ano e acumula premiações pela qualidade do café, investiu em equipamentos e capacitação. Cerca de 25% da produção já é vendida na forma de café torrado e diretamente ao consumidor. Segundo cálculos da Emater-MG, a venda direta do café beneficiado pelos agricultores pode triplicar a renda.
“Hoje a gente consegue um valor bem mais alto do que vender o grão cru. Vendemos uma saca de 60 quilos de café verde por cerca de R$ 3 mil a R$ 4 mil. Mas, dependendo do café, conseguimos faturar entre R$ 6 mil e R$ 10 mil quando ele já está torrado”, afirma a produtora.

Venda direta
Minas Gerais possui atualmente 873 agroindústrias familiares de café, segundo a Emater-MG. Os cafés torrados em grão ou moídos são comercializados diretamente nas propriedades, em feiras, cafeterias e pequenos comércios, além das vendas on-line. Um dos canais utilizados pelos produtores é o ÉdoCampo , plataforma digital da Emater-MG voltada à comercialização de produtos da agricultura familiar.
Segundo a coordenadora técnica estadual da Emater-MG, Suzana Kanadani, a verticalização permite que uma parcela maior da renda permaneça com quem produz. “Quando o produtor investe na torrefação, o lucro fica todo concentrado na propriedade. Ele não dilui esse lucro com outros atores da cadeia, agrega valor ao produto e consegue, com uma marca própria, obter maior lucratividade na atividade”, diz.
O trabalho da Emater-MG inclui orientações sobre qualidade do produto, rotulagem, embalagem e estratégias de comercialização, ajudando os agricultores familiares a se posicionarem em um mercado interessado na origem e na identidade dos cafés.
Da lavoura à xícara

Em Alto Jequitibá, também na área das Matas de Minas, a produtora Silmara Emerick seguiu o mesmo caminho. Ela adaptou uma construção da propriedade para instalar uma pequena torrefação, onde a família também embala o café.
Hoje, cerca de 30% da produção de cafés especiais é comercializada diretamente ao consumidor. A propriedade também passou a receber turistas interessados em conhecer o cultivo e os diferentes métodos de preparo da bebida.
“A Emater-MG é fundamental no trabalho que a gente faz, com assistência técnica. Inclusive, a Emater-MG nos orientou a colocar as informações necessárias nos rótulos dos nossos pacotinhos de café”, conta a produtora.
Para Silmara, o principal benefício é a possibilidade de manter na propriedade a renda gerada em todas as etapas do processo. “A gente consegue fazer todo o processo, desde a roça até chegar à xícara. Isso traz benefícios para toda a família, porque todo o valor da venda fica dentro da nossa casa”.
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