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Santa Casa do Pará realiza o 50º transplante de fígado da instituição

Apesar dos desafios culturais às doações de órgãos no Estado, que registra recusas familiares de 65%, frente à média nacional de 45%, instituição s...

05/10/2026 10h42
Por: Redação Fonte: Secom Pará

A Santa Casa do Pará realizou com sucesso a 50ª cirurgia de transplante do fígado realizada na instituição. A recepcionista Cristiane Reni dos Santos, de 43 anos, moradora de Ananindeua, na região metropolitana de Belém, foi transplantada na última semana e se recupera bem da cirurgia. Quinquagésima paciente a passar pelo procedimento especial no estabelecimento de saúde, Cristiane está sendo acompanhada diariamente pela equipe na enfermaria. Para ela, o transplante hepático significa uma nova chance de vida - e que só foi possível com a infraestrutura voltada à doação de órgãos no Estado.

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“Essa cirurgia me trouxe à vida, porque então eu só estava sobrevivendo, né? Eu estava numa situação bem triste mesmo. Às vezes pensava que não ia conseguir um doador. Mas Deus deu essa oportunidade, a gente fica alegre e fica triste também, né? Porque sabe que uma pessoa teve que perder sua vida para dar a sua para mim. Mas a vida é um encontro de oportunidades e renascimentos, e agora vamos em frente”, emociona-se Cristiane.

Pai da paciente que se recupera, o aposentado Carlos Vidal avalia que o que aconteceu com a sua filha é uma "coisa extraordinária", até porque diz que a filha estava sofrendo demais. "Há dois anos atrás eu perdi minha esposa, e até cheguei a pensar que não estou preparado para perder minha filha. Mas aí Deus agiu e a coisa aconteceu. Hoje ela é uma nova vida, e graças a Deus e à família da pessoa que teve o bom senso de doar esse fígado para minha filha”.

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Na mesma semana em que a Cristiane passou pelo transplante, um dia antes, dona Verônica da Silva Pereira também recebeu um novo fígado. Aposentada e moradora de Belém, ela festeja o sucesso do transplante no hospital. “Até agora não tenho nenhum problema. Estou me sentindo bem. Pensei que eu nem ia sobreviver. Eu estava com o fígado completamente comprometido por cirrose. Mas, graças a Deus, eu ganhei mais uma chance. Estou muito alegre, agradeço a família que fez essa doação, que ela seja abençoada. Fiquem certos que uma parte dessa pessoa ainda está na terra”.

Para a filha de dona Verônica, a dona de casa Dejanis Pereira de Lima, a presença de sua mãe é um milagre. “A gente vem aí há quatro anos lutando, e há dois esperando pelo grande dia para ela ser transplantada. E hoje vejo minha mãe viva e com a gana de viver. Eu só tenho a agradecer a Deus, ao doador e a equipe médica da Santa Casa. A importância é viver, né? E eu acredito que a importância de ser um doador é salvar vidas. Isso é muito importante para a gente, e é uma prova de amor ao próximo”.

Referência

Ao chegar aos 50 transplantes de fígado em pacientes adultos, a Fundação Santa Casa do Pará consolida o serviço no Pará. O médico cirurgião Rafael Garcia, responsável técnico do Transplante Hepático da Santa Casa, avalia que esses dois últimos transplantes representam o avanço dos trabalhos da equipe da instituição.

“São dois casos muito graves. Uma tinha uma situação especial, que é quando ganha pontos a mais por conta da gravidade. Tem uma taxa de mortalidade muito alta em um tempo curto. Em até seis meses, aí o Ministério da saúde dá esses pontos para ter uma chance maior de ter um transplante. E o outro caso também é um caso muito, muito grave, com uma pontuação alta na fila. Tinha um risco de óbito alto em um tempo curto e para a nossa sorte e sorte delas, duas famílias fizeram essa doação. E a gente conseguiu no mesmo dia fazer os dois casos”.

“E aí a gente conseguiu finalmente atingir 50 transplantes, que é um marco importante no programa de transplante. A literatura mostra que a partir de 50 cirurgias, um centro de transplante já está apto a fazer os casos mais graves e complexos, que é a nossa situação agora. E isso mostra uma maturidade, e a evolução da equipe toda e do hospital, para a gente conseguir ter esse resultado bom", explica o médico.

"As duas vão ter alta com menos de 10 dias. Isso também mostra uma maturidade do hospital na assistência do pós-operatório, para a gente conseguir esse desfecho”, festeja o cirurgião Rafael Garcia.

Comunicar que é doador é ato decisivo

Segundo informações da Central Estadual de Transplantes, apesar da infraestrutura do Estado, a recusa de muitas famílias em doar os órgãos de seus entes falecidos é hoje o principal entrave para o aumento do número de transplantes no Pará. E o Estado segue entre as unidades da Federação com os maiores índices de rejeição cultural ao reconhecimento de doadores e seus direitos, e às possibilidades das infraestruturas disponíveis para os transplantes.

Por isso mesmo, a saúde pública vem reforçando o investimento em campanhas de sensibilização da população e também em maior capacitação dos profissionais de saúde. Um exemplo é campanha Setembro Verde, que fortalece também no Estado a necessidade de conscientização da importância da doação de órgãos.

“Aqui no Pará a gente tem uma recusa familiar muito alta, de 65%. A média nacional é de 45%. Então, quem quer ser um doador tem que avisar sua família, porque só a família que libera a doação", ressalta o cirurgião Rafael Garcia.

"A lei aqui no Brasil é assim: não adianta fazer algum papel, algum documento, que na eventualidade de uma morte encefálica, quem dá essa liberação é a família. E geralmente as famílias acatam o que a pessoa disse em vida. Por isso que a gente fala que é essencial que se discuta isso em família, para poder a gente aumentar essa doação e ajudar muito mais a gente que tá muito grave, que de outro modo vai ter um risco de morrer muito rápido”, orienta o médico.

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