Pró-reitores e diretores de pós-graduação, pesquisa e extensão de instituições públicas e privadas participaram nesta terça-feira (22), no Campus da Indústria em Curitiba, de um World Café que teve o objetivo de apresentar o diagnóstico e avanços, além de discutir soluções para os desafios da pós-graduação stricto sensu do Paraná.
O Estado conta com 374 programas de pós-graduação, com a presença de universidades em mais da metade dos municípios paranaenses. Organizado pela Fundação Araucária e pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), o evento reforça a estratégia adotada pelo Governo do Estado de manter um diálogo sempre aberto e permanente com os programas de pós-graduação, por meio das instituições de ciência e tecnologia.
“O pilar da pesquisa, da ciência e tecnologia em qualquer estado são os programas de pós-graduação. Esse diálogo nos permite sempre atualizar um planejamento que a gente iniciou, já em 2020, de forma que nos permita ter, cada vez mais, um olhar atualizado das grandes demandas que a sociedade coloca em termos de pesquisa, de ciência e tecnologia”, destaca o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Luiz Márcio Spinosa.
Os impactos dos avanços na pós-graduação na competitividade do Estado também foram destaque no evento. “A ideia é a gente verificar aquilo que pode ser feito para melhorar o sistema em todos os níveis. Desde a infraestrutura, melhorar a qualificação do pessoal formado, mas também a produção acadêmica, a produção científica. E como isso, de certa forma, pode melhorar a competitividade do Estado em termos de criação de riqueza, em termos de qualidade de vida e assim por diante”, explica o diretor.
Ao apresentar o diagnóstico da pós-graduação com base nos dados do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE 1996-2021) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a pró-reitora de Pesquisa e Pós-graduação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Silvia Márcia Ferreira Meletti, ressaltou o importante número de mestres e doutores que continuam trabalhando no Paraná após a conclusão do curso.
“Os dados mais recentes divulgados nos mostram que dos 31.297 mestres, 24.912 trabalhavam no Paraná neste período de 1996 a 2021. Dos 10.990 doutores, 8.107 trabalhavam no Paraná. Nós podemos observar que a ampla maioria que é titulada no Estado permanece no Estado, tanto mestres quanto doutores. Então, nós empregamos aqueles mestres e doutores que titulamos”, enfatiza a pesquisadora.
O Paraná ocupa uma posição de destaque em nível nacional ao analisar os dados de universidades estaduais. Se comparados com a distribuição dos programas em nível nacional, segundo o status jurídico da universidade, o Paraná tem uma situação bem distinta do restante do país.
“No Brasil o índice de programas em universidades estaduais é de 22%, no Paraná esse índice é de 46%. Uma outra característica que faz também com que o Paraná tenha destaque é a distribuição das universidades e dos programas pelo Estado como um todo. Raramente nós temos estados no país que tenham a abrangência geográfica das universidades e dos programas de pós-graduação igual nós temos no Paraná”, analisa Silvia.
DISCUSSÕES– O evento contou com quatro rodadas de discussões. A primeira focada na “Qualificação Científica e Resposta a Desafios Emergentes”, com o objetivo de buscar maneiras de melhorar a qualidade e ampliar a produção científica, promovendo sua inserção internacional e fortalecendo sua capacidade de responder a desafios emergentes em CT&I, como inteligência artificial, mudanças climáticas, saúde global, bioeconomia e transformação digital.
Na segunda, foi discutido o tema “Formação Inovadora e Inserção dos Egressos”, apontando estratégias e quais formatos inovadores podem ser adotados para qualificar a formação acadêmica e profissional e acompanhar a inserção dos egressos em diferentes contextos sociais e produtivos.
Para o diretor de Ensino Superior da Seti, Michel Jorge Samaha, iniciativas como este evento são determinantes para a formulação de políticas públicas e para a expansão da pós-graduação. “Temos grandes desafios relacionados à pós-graduação, tanto do ponto de vista da sua expansão, como da sua inserção regional, do atendimento das demandas regionais e também do alinhamento com as demandas de mercado da sociedade”, diz.
“O mundo mudou drasticamente nesses últimos anos do ponto de vista da sua base técnica e as pós-graduações ainda são os espaços de treinamento que melhor alinham a formação dos profissionais com os grandes desafios que nós enfrentamos como sociedade, como humanidade”, afirma Samaha.
Ainda durante o evento, os pesquisadores discutiram a “Expansão Planejada da Pós-Graduação” e caminhos para ampliar os programas, com base em dados de demanda regional, capacidade instalada e alinhamento com áreas estratégicas para o desenvolvimento científico, tecnológico e territorial.
Por fim, os grupos deliberaram sobre a “Integração com Setores Estratégicos e Geração de Impacto”, apontando como os programas de pós-graduação podem fortalecer parcerias com o setor produtivo, o poder público e a sociedade civil para promover inovação, captação de recursos e impacto aplicado do conhecimento gerado.
O presidente do Conselho Paranaense de Pró-reitores de Pesquisa e Pós-graduação (CPPG), Mauro Ravagnani, disse que o encontro foi uma importante oportunidade de ter um panorama geral dos programas de pós-graduação do Paraná, além de conhecer melhor como estão instituídos e como desenvolvem suas atividades para planejar ações futuras.
“Para decidir que tipo de fomento pode ser apresentado pelas agências financiadoras, inclusive a Fundação Araucária, para o atendimento dessas demandas já existentes para as novas demandas que devem aparecer ao longo do tempo. E, por fim, a previsão a médio e longo prazo do que é que nós podemos esperar para a pós-graduação no estado do Paraná”, observa.
Ao final do evento, os representantes das universidades do Paraná, da Fundação Araucária e da Seti, construíram juntos um documento firmando compromissos para o avanço da pós-graduação no Estado.
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