
A Fundação Pública de Saúde de Vitória da Conquista (FSVC), em parceria com o Projeto de Extensão Alemdador, do curso de Psicologia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), promove, desde a última segunda-feira (15) até esta sexta-feira (19), a exposição Chegadas e Partidas, destinada aos funcionários do Hospital Esaú Matos. A iniciativa, que também conta com palestras, busca preparar a abordagem e a forma de acolhimento das equipes com mães que perderam seus bebês durante a gestação ou que tiveram filhos com a saúde comprometida.
“Toda a equipe precisa estar engajada nesse olhar e nesse cuidado, entendendo que essa mãe é diferente das outras. E que, por isso, demanda um olhar diferente”, destacou o organizador do evento e psicólogo na unidade hospitalar, Naamã Dias.
Na ocasião, a médica pediátrica paliativista, Vanessa Cerqueira, ministrou a palestra “Cuidados paliativos na Neonatologia”, ressaltando a necessidade de entender as expectativas da família e das crianças nessas condições, e de desmistificar o cuidado paliativo dentro da pediatria.
O fisioterapeuta Christian Silva Rodrigues achou a palestra muito interessante. “Foi um aprendizado no sentido de poder conhecer um pouco mais o trabalho, a amplitude que tem o cuidado paliativo e o quanto ele pode ser benéfico para os pacientes, as famílias e também para os profissionais, entendendo a qualidade de vida, enquanto vida, e qualidade de morte também para o paciente e para a família”.
A estudante de Enfermagem na Universidade Federal da Bahia (UFBA), Rebeca Bittencourt, parabenizou a iniciativa. “Eu tenho gostado bastante, principalmente porque essa é uma temática muito importante. Facilita para que nós, como profissionais, possamos acolher os familiares, os pacientes e também para a nossa experiência pessoal, porque todos nós vamos passar por isso em algum momento”.
O Hospital Municipal Esaú Matos conta com um espaço destinado ao cuidado das mães em luto perinatal. O local permite separar fisicamente as mulheres que perderam seus bebês daquelas que celebram o nascimento, além de oferecer a possibilidade de trocas de experiências com outras mães que vivem a mesma situação de dor.
“Dentro desse espaço, o olhar, o cuidado e a abordagem fazem toda a diferença. O Espaço Maria Flor é dedicado para essa mãe, que continua sendo mãe apesar da perda, que é tratada como tal, mas de uma maneira mais humana diante desse lugar da perda em específico. Então, não negligenciamos a perda, mas a olhamos para ela com cuidado mais extremado, para que esse cuidado aconteça de uma maneira a qual essa mãe se sinta acolhida nesse lugar”, conclui Naamã Dias.
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