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Com mais de 69 mil contas analisadas, Polícia Civil rastreia R$ 9,6 bilhões ligados à lavagem de dinheiro

Trabalho conduzido por laboratório especializado foi a base da Operação Vérnix, deflagrada no último mês contra organização criminosa que usava emp...

19/06/2026 08h37
Por: Redação Fonte: Secom SP
Laboratório produziu 130 relatórios técnicos. Foto: Governo de São Paulo/Divulgação
Laboratório produziu 130 relatórios técnicos. Foto: Governo de São Paulo/Divulgação

A Polícia Civil de São Paulo indetificou movimentações financeiras suspeitas que somaram mais de R$ 9,6 bilhões ao longo de 2025. O trabalho vem do Laboratório de Tecnologia Contra a Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), unidade especializada do Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol).

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Dentro desse montante, encontram-se também os valores relacionados à Operação Vérnix , deflagrada no último mês para desarticular um esquema de ocultação de patrimônio por meio de empresas de fachada.

Instalado no 18º andar do Palácio da Polícia Civil , o LAB-LD realiza um trabalho silencioso, mas fundamental para investigações que embasam grandes operações contra o crime organizado. Somente no ano passado, mais de 69 mil contas bancárias foram analisadas pelas equipes, resultando na emissão de quase 130 relatórios técnicos.

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Um desses relatórios serviu de base para as apurações que levaram ao indiciamento de sete pessoas, além do bloqueio de mais de R$ 327 milhões, da apreensão de 17 veículos de luxo e de quatro imóveis vinculados aos investigados na Operação Vérnix, realizada em parceria com o Ministério Público. Os envolvidos, influenciadores e integrantes de uma organização criminosa, mantinham um esquema de lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada e uso de contas “laranjas”.

Segundo a Polícia Civil, a operação só foi deflagrada após a conclusão do relatório técnico, que reuniu informações detalhadas sobre as transações financeiras realizadas pela quadrilha. O documento também apontou as movimentações feitas pelos investigados desde 2019, quando o esquema passou a ser apurado. Foi constatado que o patrimônio e os valores movimentados eram incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelos suspeitos.

“Cada vez mais descobrimos novas formas de lavagem de dinheiro, e a maneira mais eficaz de combater esse tipo de crime é por meio da asfixia financeira dessas organizações”, explica o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian.

Outra investigação de repercussão que contou diretamente com o apoio do LAB-LD foi a Operação Scream Fake (falso grito, em português), deflagrada no ano passado. Na ocasião, foram cumpridos 12 mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão contra advogados e dirigentes de uma Organização Não Governamental (ONG) suspeitos de atuar em benefício do crime organizado. A entidade, que alegava defender os direitos dos presos, era utilizada para lavar dinheiro e oferecer serviços médicos e até estéticos exclusivamente a integrantes da alta cúpula da facção presos.

Para o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, o Laboratório de Tecnologia contra a Lavagem de Dinheiro tem sido essencial para o avanço das investigações.

“É um setor que presta apoio às delegacias e departamentos especializados da Polícia Civil, mas com a função de rastrear o dinheiro. Hoje vemos criminosos criando alternativas para esconder a origem ilícita dos bens adquiridos, mas é por meio do trabalho dessa equipe especializada que conseguimos identificar as irregularidades e deflagrar ações de combate”, afirma.

LAB-LD dá mais controle e rastreabilidade nas investigações financeiras

Desde abril deste ano, uma portaria da Delegacia Geral de Polícia tornou o Laboratório de Tecnologia contra a Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) uma peça ainda mais estratégica nas investigações financeiras. A norma passou a exigir que as unidades policiais informem quais medidas foram adotadas a partir dos relatórios técnicos produzidos pelo laboratório, incluindo instauração de inquéritos, prisões, apreensão de bens e recuperação de valores.

A regulamentação também estabeleceu regras mais rigorosas para a solicitação e utilização de informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que agora devem estar vinculadas a inquéritos policiais formalmente instaurados. Essa mudança, segundo a Polícia Civil, tem o objetivo de ampliar a rastreabilidade das investigações e mensurar de forma mais precisa os resultados alcançados a partir do trabalho de inteligência financeira desenvolvido pelo laboratório.

Como funciona o trabalho no LAB-LD?

O LAB-LD da Polícia Civil de São Paulo é um dos mais estruturados do país. A unidade conta com mais de 30 agentes e tecnologias especializadas que ampliam a capacidade de análise financeira e dão mais agilidade às investigações. Os profissionais, muitos deles formados em ciências contábeis, administração e economia, só entram em ação após solicitações de delegacias regionais para aprofundar a análise de suspeitas de lavagem de dinheiro.

Pela primeira vez desde 2010, a unidade conta com uma delegada-assistente. Recentemente, também recebeu investimentos para a aquisição de computadores mais modernos, um servidor de alta capacidade de processamento e um sistema de análise de vínculos que auxilia na produção dos relatórios técnicos.

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