Em tragédias e situações de grande emergência, cada segundo pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Para fortalecer a capacidade de resposta nesses cenários, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) promoveu, nesta quinta-feira (25), o 1º Simpósio do SAMU Regional Campo Grande-MS, reunindo mais de 200 profissionais para discutir protocolos e estratégias voltados ao atendimento de incidentes com múltiplas vítimas.

Com o tema “Protocolo 192: A Resposta do SAMU em Incidentes de Múltiplas Vítimas”, o encontro, coordenado pelo Núcleo de Educação Permanente (NEP) da Sesau, abordou situações que exigem grande mobilização dos serviços de emergência, como acidentes de grande porte, incêndios, desabamentos e eventos com elevado número de feridos. Além de Campo Grande, participaram profissionais dos 11 municípios que integram o SAMU Regional.

Para a coordenadora e gerente-geral do SAMU Regional Campo Grande-MS, Isabella de Mendonça, a capacitação permanente das equipes representa um investimento direto na segurança da população. “Estamos trabalhando em um protocolo que permite disponibilizar o melhor recurso possível, de acordo com a gravidade da ocorrência e o tipo de incidente. Quando conseguimos organizar melhor a resposta, conseguimos salvar mais vidas”, explica.

O protocolo abrange desde acidentes de trânsito até evento com substâncias químicas, contemplando qualquer situação que demande uma resposta complexa dos serviços de urgência. “O mais importante é que as equipes estejam preparadas para agir de forma coordenada, utilizando os recursos corretos no momento certo”, destaca Isabella.

Na abertura, a importância desse preparo foi lembrada pelo superintendente de Atenção Especializada e Urgência à Saúde, Yama Albuquerque Higa. “A gente se considera preparado, mas a verdadeira dimensão do desafio só é conhecida quando o incidente acontece. É justamente por isso que discutir esse tema como política pública é essencial para fortalecer a resposta do Sistema de Saúde”, afirma.

Os especialistas discutiram temas fundamentais para a resposta a incidentes com múltiplas vítimas, como a preparação das equipes, o papel da Central de Regulação das Urgências (CRU), a aplicação dos protocolos de triagem START e JumpSTART e os desafios enfrentados pelas equipes de intervenção em cenários de grande complexidade.

Um dos destaques foi a palestra do médico especialista em Medicina de Emergência, Rodrigo Quadros, que reforçou a necessidade de planejamento, treinamento e integração entre instituições para salvar vidas. Para ele, ocorrências com múltiplas vítimas exigem organização e comunicação eficientes entre todos os envolvidos, além de protocolos previamente definidos para prevenção, evacuação e atendimento. “A preparação acontece antes da emergência. Quando o incidente ocorre, o planejamento já precisa estar pronto”, salienta.

O secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, avalia que o atendimento pré-hospitalar passou por uma profunda transformação nas últimas décadas. Com experiência na área de urgência e emergência, ele recorda o período anterior à implantação do SAMU e reforça os avanços alcançados, além da necessidade de aperfeiçoamento técnico contínuo.

“O atendimento pré-hospitalar transformou a forma como prestamos assistência às urgências e emergências. Acompanhei de perto a realidade antes da implantação do SAMU e posso afirmar que a evolução foi significativa, tanto na estrutura quanto na qualificação das equipes. Mas esse é um processo contínuo. Investir em capacitação, atualização de protocolos e integração entre os serviços é o que garante uma resposta cada vez mais rápida, segura e eficiente para a população quando cada minuto faz a diferença.”
Para os profissionais que atuam na linha de frente, o Simpósio também representa um marco na atualização técnica. A médica reguladora e intervencionista, Renata Veloso, avalia que a iniciativa fortalece a integração das equipes. “Esse protocolo vem para orientar, capacitar e alinhar toda a Rede. Estamos discutindo desde o acionamento da Central de Regulação até a atuação conjunta com Bombeiros, Polícia Militar e os hospitais de referência”, explica.

Já o médico intervencionista, Ian Chaves, destaca que o principal benefício está na unificação dos protocolos e na troca de experiências. “Eventos como este permitem alinhar teoria e prática, fortalecer o trabalho multiprofissional e garantir que toda a equipe esteja preparada para oferecer o melhor atendimento possível à população em situações críticas.”

Mais do que um encontro técnico, o Simpósio reforçou o papel estratégico do SAMU na resposta às urgências e emergências, evidenciando a importância da capacitação permanente para garantir um atendimento cada vez mais qualificado à população.

“A qualificação contínua das equipes, associada à integração entre os serviços de emergência, amplia a capacidade de resposta diante de ocorrências complexas e fortalece a missão que move diariamente os profissionais do 192, que é chegar rápido, agir com precisão e aumentar as chances de salvar vidas”, pontua o titular da Sesau.
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