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Segunda, 29 de Junho de 2026 11:57
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Geral AGRICULTURA E PESCA

Cacauicultura no Pará ajuda recuperação de 165 mil hectares de áreas degradadas

Acompanhamento feito pela Ceplac e compartilhado com a Sedap, confirma a força ambiental da lavoura cacaueira, implantada em áreas já alteradas

29/06/2026 09h56
Por: Redação Fonte: Secom Pará
Foto: Mateus Costa/Ascom Sedap
Foto: Mateus Costa/Ascom Sedap

Cultivo do cacau já ajudou na recuperação de 165 mil áreas degradadas, da década de 90 até o ano passado, aponta Ceplac

Monitoramento feito pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), compartilhado com a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), mostra que desde a metade da década de 90 até o ano passado, foram recuperados em todo o estado 165 mil hectares de áreas degradadas com plantio de cacau em Sistema Agroflorestal(SAF), o equivalente a 231 mil campos de futebol.

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Entre os municípios que se destacam, estão Tomé-Açu (região de integração do Rio Capim), que criou o seu sistema de Safta (Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu) e os que estão sob influência direta da Rodovia Transamazônica (BR-230), como Altamira, Medicilândia, Brasil Novo, entre outros.

Tomé-Açu e Medicilândia, entre outros, investem na cacauicultura para recuperar áreas e obter renda com o cultivo do cacau

Pesquisa recente da Universidade Federal do Pará (UFPA) – Campus de Altamira, localizado na região de integração do Xingu - mostra que as novas lavouras de cacau estão sendo implantadas predominantemente em áreas já alteradas. Isso muda um padrão onde antes a cultura era fixada em área de floresta.

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O trabalho abrangeu todos os municípios da Transamazônica( rodovia BR-230). O reaproveitamento de áreas alteradas apresentado pelo estudo vem ao encontro dos anseios do Governo do Estado, que deslancha ações ao longo dos últimos anos com a finalidade de garantir a preservação ambiental, por meio de culturas agroflorestais, como é o caso do cacau.

De acordo com o professor Miquéias Calvi, da Faculdade de Engenharia Florestal da UFPA, que desenvolveu o trabalho na Transamazônica junto com a equipe da Faculdade de Engenharia Agronômica da instituição, ocorre um ciclo virtuoso de reaproveitamento de áreas já alteradas, o que abrange predominantemente áreas de pastagens degradadas ou em estágio inicial de degradação, além de área de sucessão secundária inicial.

“Isso é importante, pois mostra que as novas lavouras de cacau não estão avançando sobre as áreas de florestas primárias; o componente ambiental é muito interessante nestes sistemas de produção. Identificamos que 81% das novas lavouras de cacau a partir do ano de 2021 estão sendo implantadas em áreas alteradas ou degradadas. Estamos com padrão diferente do que comumente tem sido reportado em outras regiões do Brasil e do mundo”, explica Miquéias Calvi.

Professor Miquéias Calvi, da UFPA: "Identificamos que 81% das novas lavouras de cacau estão sendo implantadas em áreas alteradas ou degradadas. Isso é importante porque mostra que o cultivo não avança sobre as áreas de florestas primárias".

As áreas degradadas oferecem rendimentos ao produtor, segundo detalha o professor, por isso, o agricultor que reaproveita esse espaço com novas lavouras só tem a ganhar. “Áreas que não estão trazendo nenhum tipo de rendimento ao produtor, em um curto espaço de tempo se tornarão produtivas. Isso mostra uma potencialidade ambiental e econômica da lavoura cacaueira”, defende.

Sobre a perspectiva de políticas públicas é importante que os órgãos de fomento de estado e municípios apoiem iniciativas de beneficiamento e distribuição de mudas e sementes florestais, senão as lavouras implantadas nessas áreas alteradas tenderão a se reproduzir sob o modelo de monocultivo a pleno sol, segundo observa o professor, já que o solo degradado já não tem a mesma capacidade de um solo novo de regenerar as árvores.

"Órgãos como a Sedap, Seaf (Secretaria de Estado de Agricultura Familiar), Ideflor-Bio (Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará) e secretarias municipais de meio ambiente têm um papel fantástico de fomentar a produção e a distribuição de mudas e sementes florestais para que os agricultores implantem os seus sistemas agroflorestais", diz o professor Miquéias.

Ações do Estado para recuperação de áreas degradadas, por meio da cacauicultura

O coordenador do Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Cacau (Procacau), engenheiro agrônomo Ivaldo Santana, lembra que a legislação que criou o Funcacau (Fundo de Apoio à Cacauicultura do Pará) - Lei estadual nº7. 093 de 16.01.2008 - estabelece que o cacau deve ser plantado somente em SAF.

Coord. do Procacau, Ivaldo Santana, destaca as ações governamentais à recuperação de áreas, por meio da cacauicultura

A legislação enfatiza, também, a inserção da cultura em áreas alteradas e não de florestas nativas. Segundo informa Santana, desde o ano 1996 até o ano passado, foram recuperados em todo o estado 165 mil hectares de áreas degradadas com plantio de cacau no Sistema Agroflorestal.

"É a prioridade da legislação que cria o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento e Consolidação da Cacauicultura) e do Fundo Cacau: trabalhar o cacau com Sistemas Agroflorestais e em áreas alteradas; nós estamos cumprindo essa orientação da legislação e do Governo do Estado do Pará", ressalta Ivaldo Santana.

O Executivo estadual, por meio da Sedap e d o Funcacau – que é coordenado pela secretaria - injeta recursos para a produção e aquisição de sementes híbridas oriundas da Ceplac para serem distribuídas aos produtores, tanto aos que querem aumentar sua área plantada como aos novos que se inserem na cacauicultura.

"Em média, a gente distribui 13,5 milhões de sementes por ano aos produtores. O Pará todo ano cresce em termos de 9 mil hectares com novas áreas de cacau e mil produtores se incorporam à cadeia produtiva do cacau todos os anos", complementa o coordenador do Procacau.

O Ideflor-Bio, como lembra Santana, é outra instituição governamental que atua no incentivo para a implantação de Sistemas Agroflorestais. "A instituição produz e distribui gratuitamente mudas de essências florestais para fazer o sombreamento das áreas plantadas com cacau, exatamente para formar o SAF”.

O agricultor conhecido como Chico dos Chagas, aconselha os produtores de cacau a investirem em sistemas agroflorestais

Faz parte das ações, também, como elenca o coordenador, a distribuição aos agricultores de mudas de bananas para o sombreamento provisório para a cultura do cacau.

O programa Territórios Sustentáveis (PTS), que é um dos eixos do Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA), é outra iniciativa governamental com a finalidade de incentivar e beneficiar produtores rurais para a produção sustentável em regiões pressionadas pelo desmatamento e passíveis de restauração florestal. Mais de 45 municípios aderiram ao PTS no âmbito das ações trabalhadas pela Sedap.

O processo de fomento inicial do programa desenvolvido pela Sedap, prevê a implantação de um (1) hectare de Sistemas Agroflorestais em áreas antes degradadas ou desmatadas e visa o aporte de insumos e serviços nas propriedades, por meio de convênios com as prefeituras municipais no Pará.

Experiências positivas com SAFs foram apresentadas no Fórum da Cacauicultura

O trabalho desenvolvido pela UFPA de Altamira foi apresentado durante um dos painéis realizados no Fórum da Cacauicultura, programação que integrou o Festival Internacional do Chocolate e de Cacau de Altamira - Chocolat Xingu, no período de 11 a 14 deste mês. O mesmo espaço de apresentações de trabalhos e orientações aos produtores fez parte também do Festival Internacional realizado em Belém, no mês de abril.

O coordenador dos dois festivais realizados pela Sedap, Ivaldo Santana, diz que é a programação que o produtor demonstra mais interesse. "Essa é a parte do festival em que nós levamos profissionais para palestrar e participar dos painéis, são profissionais conhecedores da cadeia do cacau, desde a colheita, plantio e desenvolvimento da cultura; elas trazem informações novas, resultantes de pesquisas e que é importante para o produtor conhecer e adotar na sua propriedade; são pesquisas como controle de pragas, por exemplo. Isso tudo para que os produtores possam aumentar o seu conhecimento da cultura do cacau".

O Fórum contou, ainda, com apresentações de experiências repassadas pelos próprios agricultores, como foi o caso do produtor Francisco de Morais, conhecido na comunidade onde mora em Brasil Novo, na Região de Integração do Xingu, como Chico do Chagas. Ele disse que há 44 anos planta cacau na Transamazônica e que após receber orientações da Ceplac, passou a adotar o Sistema Agroflorestal em sua propriedade de 50 hectares.

“Eu achava que não ia dar certo substituir a plantação de pleno sol para agroflorestal. Mas, hoje eu posso dizer que já colhi os resultados. O cacau é sadio, produzo bem, não tem ataque de podridão e nem vassoura de bruxa. Tenho cacaueiro de mais de 40 anos que está sadio. Faço o replantio e o cacau não morre”, assegura o agricultor. Durante a apresentação, ele mostrou, por meio de imagens, os resultados do trabalho que realizou ao longo de quatro décadas.

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