As variedades de milho de polinização aberta (VPAs) desenvolvidas pela Epagri já provaram que têm alto índice de produtividade e são mais resistentes à pragas, doenças e estiagens. Agora, pesquisadores do Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar (Epagri/Cepaf), em Chapecó, e da Estação Experimental em Campos Novos (Epagri/EECN), estão avaliando o desempenho dessas variedades de forma específica na produção de silagem, alimento muito importante para a pecuária leiteira em Santa Catarina.
Os experimentos estão sendo conduzidos com as VPAs SCS155 Catarina e SCS157 Prodígio e, como parâmetro, com dois híbridos comerciais, de média e de alta tecnologia. “A partir dos ensaios, vamos quantificar a produção de forragem, o valor nutritivo e também a viabilidade econômica da silagem porque esse é um ponto fundamental para a escolha do produtor por um híbrido ou uma variedade de polinização aberta”, explica o pesquisador Daniel Augusto Barreta, que é zootecnista e doutor em ciência animal.
Iniciado no ano passado, o projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação (Fapesc) e deve ser concluído no segundo semestre de 2027. Segundo Barreta, nos quesitos técnico e econômico, a pesquisa vai gerar recomendações regionais aos produtores de milho para silagem, incluindo questões como escolha de material, processamento de grãos, período mínimo de armazenagem e uso estratégico das VPAs em comparação aos híbridos.
Ensaios paralelos foram instalados durante a safra 2025/26 em duas áreas: um deles na Epagri/Cepaf, em Chapecó, região com clima subtropical úmido e verões mais quentes (Cfa), e outro na EECN, em Campos Novos, onde o clima é subtropical de altitude com verões mais amenos (Cfb). Os experimentos serão repetidos nos mesmos locais na safra 2026/27. A reiteração é importante porque é comum haver particularidades de uma safra para outra, por exemplo, o estresse hídrico.

A pesquisa vai produzir uma série de indicadores que vão possibilitar recomendações mais embasadas aos produtores. Entre eles, o custo por tonelada de matéria seca de silagem e o potencial de conversão desta silagem em leite por vacas leiteiras. “A partir destes dados, teremos como calcular o potencial de produção de leite por hectare de silagem, uma métrica importante para comparar um milho híbrido com uma VPA. Será possível também comparar o custo da silagem em relação a algumas forrageiras”, explica Barreta.
Análises preliminares da pesquisa mostram que no indicador ‘rendimento de matéria verde e matéria seca por hectare’ houve um desempenho similar das VPAs em comparação aos híbridos de média tecnologia. Segundo o pesquisador, caso esses dados se confirmem, será possível afirmar que as variedades de polinização aberta são uma opção interessante economicamente. Isso porque o preço para implantação de uma lavoura com milhos VPAs é menor, inclusive, as sementes estão disponíveis no Programa Terra Boa.
Santa Catarina tem mais de 20 mil propriedades que comercializam leite. São produtores que dependem da eficiência na alimentação das vacas para o sucesso desta que é uma atividade relevante para a agropecuária catarinense. No quesito valor bruto de produção, a cadeia leiteira só perde para aves e suínos. Paralelamente, a produção de milho silagem também tem lugar de destaque no estado. Na safra 2025, o valor da produção agropecuária cresceu 46%, segundo melhor desempenho.

A produção anual de milho silagem gira em torno de 10 milhões de toneladas em uma área aproximada de 220 mil hectares. A Epagri preconiza a produção de leite à base de pasto, mas Barreta explica que é muito difícil um produtor conseguir alimentar todos os animais durante o ano inteiro sem o uso de forragem conservada. Fatores como temperatura e volume de chuva implicam em crescimento diferente de pasto, enquanto o número de vacas no rebanho leiteiro se mantém.
Os resultados da pesquisa servirão de suporte para posicionamento técnico das variedades da Epagri junto ao setor leiteiro catarinense e apoiar ações de transferência de tecnologia. “O impacto esperado inclui otimização dos recursos financeiros, menor aporte de insumos e maior eficiência alimentar, ou seja, mais leite por hectare. Nosso objetivo é fortalecer a agricultura familiar e contribuir para a competitividade do leite catarinense e para a segurança alimentar”, resume Barreta.
Por Cléia Schmitz, jornalista bolsista da Epagri/Fapesc
Informações para a imprensa
Isabela Schwengber, assessora de comunicação da Epagri
(48) 3665-5407 / 99161-6596
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