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Geral SAÚDE

Sespa tem Plano Estadual de Resposta às Emergências Climáticas em Saúde no Pará

Documento tem diretrizes para ampliar a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) e preparar gestores e serviços para mudanças do clima

30/06/2026 13h45
Por: Redação Fonte: Secom Pará

Diante do aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos extremos e dos impactos já observados sobre a saúde pública, a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), por meio da Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS) e do Departamento de Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador (DIVAST), elaborou o Plano Estadual de Resposta às Emergências Climáticas em Saúde. O documento estabelece diretrizes para ampliar a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado e preparar gestores e serviços para cenários de risco relacionados às mudanças climáticas.

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Para a diretora do Departamento de Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador (DIVAST), Roberta da Silva Souza, o documento representa uma mudança importante na forma como o setor da saúde atua diante dos eventos climáticos. "As emergências climáticas deixaram de ser um cenário futuro e já fazem parte da realidade dos territórios. O plano nasce justamente para fortalecer a capacidade do SUS de agir antes que os impactos aconteçam, estruturando monitoramento a organização da rede e proteção da população. Nosso objetivo é sair de uma lógica exclusivamente reativa e consolidar uma atuação preventiva, baseada em evidências e preparada para diferentes cenários”, disse.

A construção do plano considera as particularidades territoriais e ambientais do Pará. O documento parte do entendimento de que fenômenos como seca, estiagem prolongada, ondas de calor, incêndios florestais, baixa umidade do ar, enchentes, inundações e enxurradas já produzem impactos diretos e indiretos sobre a saúde da população, exigindo atuação antecipada e integrada entre diferentes áreas do sistema de saúde.

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"Cada município tem uma realidade diferente e o plano reconhece isso. Por isso, nossa expectativa é apoiar tecnicamente os territórios para que adaptem as estratégias às suas necessidades locais, fortalecendo a capacidade de resposta do SUS antes do período mais crítico. Preparar hoje significa reduzir impactos amanhã e proteger vidas quando os eventos climáticos se intensificarem”, disse a coordenadora da Vigilância em Saúde Ambiental (Visamb) da Sespa, Sirley Barros.

O tema foi discutido em reunião técnica recente entre áreas estratégicas da Sespa. A secretaria reuniu equipes para debater os possíveis impactos do fenômeno El Niño e das ondas de calor previstas para os próximos meses. A Sespa também mantém estratégias de monitoramento, articulação intersetorial e preparação das redes de atenção e vigilância.

Durante o encontro, foram apresentados cenários que apontam para períodos de estiagem mais severa e temperaturas acima da média histórica, com potencial de aumentar casos relacionados à desidratação, exaustão térmica, agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares, além de ampliar riscos decorrentes da fumaça provocada por queimadas e da dificuldade de acesso aos serviços em áreas remotas.

Entre as preocupações levantadas, está a necessidade de fortalecer a capacidade de resposta dos serviços de saúde antes do agravamento dos cenários climáticos. A diretora de Vigilância em Saúde (DVS), Maria Rosiana Nobre, destaca que o documento amplia a integração entre vigilância, assistência e gestão. "Fortalecer a resposta do sistema de saúde às mudanças climáticas significa integrar vigilância, assistência, planejamento e comunicação. O plano organiza responsabilidades, qualifica processos e apoia os municípios para que consigam antecipar riscos e proteger a população com mais agilidade e efetividade, especialmente nos territórios mais vulneráveis”.

Mais do que orientar respostas em momentos críticos, o Plano Estadual de Resposta às Emergências Climáticas em Saúde foi concebido como instrumento permanente de gestão, capaz de fortalecer a resiliência do SUS no Pará e ampliar a capacidade do estado de proteger vidas diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Para enfrentar esses desafios, o plano estabelece uma estrutura organizada de planejamento, prevenção, monitoramento e resposta. O documento define fluxos de atuação, responsabilidades institucionais e mecanismos de integração entre Sespa, Centros Regionais de Saúde, municípios, Ministério da Saúde e demais parceiros estratégicos.

Outro diferencial é a adoção de uma metodologia baseada em indicadores epidemiológicos, ambientais, sociais e operacionais para classificação dos cenários de risco. A partir dessa análise, o plano prevê cinco estágios operacionais de atuação: normalidade, mobilização, alerta, situação de emergência e crise, permitindo respostas proporcionais à gravidade de cada contexto.

As ações previstas incluem monitoramento contínuo dos indicadores climáticos e sanitários; fortalecimento das vigilâncias ambiental e epidemiológica; emissão de alertas e comunicação de risco; capacitação dos profissionais de saúde; apoio técnico aos municípios; monitoramento da qualidade da água e do ar; organização logística de medicamentos e insumos; ações educativas e ampliação da proteção às populações mais vulneráveis.

O plano também orienta atenção prioritária para grupos que apresentam maior risco em situações climáticas extremas, entre eles crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas, povos indígenas, comunidades tradicionais, populações ribeirinhas e trabalhadores expostos diretamente às condições ambientais.

Texto: Caroliny Pinho/ Ascom Sespa

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