Em um serviço que lida diariamente com a dor das famílias e com informações importantes para a saúde pública, estrutura também é cuidado. Foi com esse foco que a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) entregou, nesta quarta-feira (1º), a nova estrutura de biossegurança e modernização do Serviço de Verificação de Óbito (SVO) Dr. Rocha Furtado, em Fortaleza.

Modernização contempla melhorias para investigação de óbitos e produção de informações em saúde pública
Com investimento de quase R$ 2 milhões, a unidade passa a contar com uma sala de isolamento de nível de biossegurança 2 (NB-2), ambiente preparado para a investigação de óbitos por doenças infecciosas com mais proteção para as equipes. A entrega também inclui novos espaços de regulação, atendimento médico, serviço social e estudos, ampliando a privacidade no atendimento às famílias e melhorando a rotina de trabalho dos profissionais.

Tânia Mara Coelho destacou a humanização, a segurança dos trabalhadores e as novas condições de atendimento
Para a secretária da Saúde do Ceará, Tânia Mara Coelho, a modernização reúne dimensões importantes: humanização e melhores condições para os trabalhadores. “A humanização aparece na forma como as famílias são recebidas em um momento tão difícil, de tanta dor. Também estamos falando de segurança do trabalho e de melhores condições para os trabalhadores. É esse estímulo, esse brilho e essa condição de trabalho que a gente vê aqui”, afirmou.

Anacélia Gomes de Matos apontou o SVO como referência em vigilância do óbito, ensino e cuidado às famílias
A diretora-geral do SVO, Anacélia Gomes de Matos, destacou que a modernização qualifica um trabalho que começa no acolhimento às famílias e se estende à produção de informações importantes para a saúde pública. “O nosso papel é entregar para a saúde pública a informação que ela precisa e, para o cidadão, o cuidado que ele precisa”, afirmou.
Segundo Anacélia, os novos ambientes também mudam a experiência de quem procura o serviço e de quem trabalha na unidade. “Uma sala de atendimento mais confortável, com mais privacidade para os familiares, para os médicos, para o serviço social e para a regulação, motiva a equipe e mostra que o trabalho está funcionando”, completou.
Além da investigação dos óbitos, o SVO também se consolidou, ao longo dos anos, como espaço de ensino, pesquisa e formação profissional. De acordo com a gestora do equipamento, a unidade recebe solicitações de profissionais de outros estados interessados em conhecer a experiência cearense, especialmente pela atuação na vigilância epidemiológica, na vigilância do óbito e na formação de trabalhadores da saúde. “O SVO é referência nacional no ensino, na vigilância epidemiológica, na vigilância do óbito e na formação desses profissionais”, pontuou Anacélia.

Luciano Pamplona ressaltou a importância da equipe para transformar estrutura em resultado para a população
Essa integração com o ensino foi destacada pelo superintendente da Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE), Luciano Pamplona. Para ele, o investimento em estrutura só ganha sentido quando encontra uma equipe capaz de transformar o espaço em resultado para a população. “É sempre bom ter investimento e ampliação, mas nada disso ganha efeito se não houver uma equipe comprometida. Sem vocês, nenhuma estrutura traz resultado na prática”, afirmou.
A presença do residente Rodrigo Barros, primeiro residente de patologia da ESP/CE, da Rede Sesa, a atuar no SVO, marca essa aproximação entre o serviço e a formação de novos profissionais.
No equipamento, os residentes acompanham médicos patologistas, participam da análise dos casos, discutem diagnósticos e contribuem para a definição da causa da morte. “Aqui no SVO, nós acompanhamos os médicos patologistas, aprendemos a realizar necropsias, avaliar o histopatológico e definir a causa da morte. Esse tipo de formação é importante também para a criação de novas políticas públicas direcionadas à saúde”, explicou.

Antonio Silva Lima Neto (Tanta) destacou o papel do SVO como serviço do SUS voltado ao interesse coletivo
Em sua fala, o secretário executivo de Vigilância em Saúde da Sesa, Antonio Silva Lima Neto (Tanta), ressaltou que a modernização reafirma o SVO como um equipamento do Sistema Único de Saúde (SUS) a serviço da população. Para ele, a estrutura qualifica o acolhimento às famílias, fortalece a investigação de mortes naturais sem causa definida e amplia a capacidade de resposta da rede estadual diante de situações de interesse coletivo. “O SVO tem, de fato, o perfil de um equipamento do SUS”, afirmou.
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