Há pessoas que carregam na alma a força de quem veio antes e a coragem de quem não se contenta com o que já está posto. Jacqueline Lubaski é uma dessas pessoas. Filha de trabalhadores rurais, criada em Brasilândia, ela construiu uma trajetória que atravessa o tempo, o território e as expectativas. Hoje, com mais de 29 anos de atuação no agronegócio, ela é consultora em desenvolvimento de pessoas, atuando em 14 estados brasileiros, mas nunca se esqueceu de onde veio.
Em entrevista ao nosso portal, Jacqueline abriu o coração para falar sobre sua história, sua identidade e o que significa o Julho das Pretas.
QUEM É JACQUELINE LUBASKI?
"Antes de qualquer cargo ou profissão, sou alguém que acredita profundamente que pessoas transformam negócios." É com essa convicção que Jacqueline guia sua trajetória. Professora, jornalista e hoje consultora, ela construiu uma carreira sólida no agronegócio, sempre com um olhar atento às pessoas – não como mão de obra, mas como famílias, sonhos, desafios e potenciais.
"Sou filha de trabalhadores rurais, sou filha de Brasilândia e tenho esta terra como minha base. Cheguei a esta cidade com pouco mais de um ano e cresci vendo de perto a realidade de quem faz o agro acontecer todos os dias. Talvez seja por isso que eu nunca consegui enxergar pessoas apenas como mão de obra", afirma.
Inquieta por natureza, Jacqueline está sempre estudando, viajando, buscando referências no Brasil e no exterior para entender como preparar as pessoas para o futuro. E a comunicação, diz ela, sempre foi uma de suas ferramentas mais fortes.
"Gosto de provocar reflexão, desafiar crenças e dizer aquilo que muitas vezes ninguém tem coragem de falar. Não para criar polêmica, mas porque acredito que o crescimento começa quando encaramos a realidade", explica.
SER MULHER PRETA
Para Jacqueline, ser uma mulher preta é ter orgulho das suas raízes. Ela reconhece os desafios, mas nunca permitiu que a cor da sua pele definisse até onde ela poderia chegar.
"Ser uma mulher negra, para mim, é ter orgulho das minhas raízes. Sou filha de trabalhadores rurais, cresci em Brasilândia, tenho ascendência branca e negra, e nunca permiti que a cor da minha pele definisse até onde eu poderia chegar", diz.
Ela respeita profundamente as histórias de preconceito e exclusão vividas por muitas mulheres, mas escolheu transformar sua origem em motivo de orgulho.
"Ser uma mulher preta, para mim, não significa negar os desafios que existem. Significa mostrar que nossas origens podem ser motivo de orgulho e que podemos ocupar qualquer espaço com competência, dignidade e coragem."
UMA MENSAGEM PARA AS MULHERES NEGRAS
A principal mensagem que Jacqueline deixa para outras mulheres negras é clara e direta: ninguém pode definir o tamanho dos seus sonhos.
"Invistam em conhecimento, em preparo e em valores. A nossa história importa, mas ela não precisa limitar o nosso futuro. Quando uma mulher cresce, ela abre espaço para que outras cresçam junto. Por isso, sempre que puderem, compartilhem oportunidades, incentivem outras mulheres e estendam a mão. O sucesso faz muito mais sentido quando ele inspira outras pessoas."
Ela também faz um alerta: "Não se preocupem com o que vão falar de vocês; quanto mais falarem para diminuir vocês, mais é sinal de que está dando certo, pois vencer incomoda."
JULHO DAS PRETAS
Para Jacqueline, o Julho das Pretas representa um momento de escuta, reflexão, valorização e alerta.
"É uma oportunidade para lembrar das mulheres que vieram antes de nós, reconhecer suas lutas e celebrar suas conquistas. Também é um convite para que a sociedade continue debatendo igualdade de oportunidades, respeito e representatividade. Mais do than a date, I see it as a moment to strengthen dialogue and build a future where every woman can be recognized for her potential."
UMA CONVERSA COM A MENINA QUE UM DIA FOI
Se pudesse conversar com a menina que um dia foi, Jacqueline diria:
"Eu diria para ela continuar sonhando. Diria que aquela menina criada em Brasilândia ainda pisaria em muitos lugares que nem imaginava conhecer. Que ela moraria onde nunca imaginou morar. Que ela iria visitar lugares que seriam inimagináveis para alguém como ela, mas que é possível. Diria para nunca ter vergonha das suas raízes, porque elas seriam justamente a sua maior força."
E completa: "A simplicidade da origem nunca impediu ninguém de construir uma história extraordinária."
O LEGADO
O legado que Jacqueline deseja deixar para as próximas gerações é simples e poderoso: ser lembrada como alguém que ajudou pessoas a acreditarem no próprio potencial.
"Se eu conseguir inspirar uma menina a estudar mais, uma mulher a assumir uma posição de liderança ou uma profissional a acreditar que pode crescer sem abrir mão dos seus valores, já terei cumprido uma parte importante da minha missão."
O QUE A MANTÉM DE PÉ
O que faz Jacqueline continuar acreditando e lutando diariamente são as pessoas.
"Nada me motiva mais do que ver alguém descobrir uma capacidade que ainda não enxergava em si mesmo. Acredito que conhecimento transforma vidas, que uma boa liderança muda ambientes e que uma palavra dita na hora certa pode mudar uma história inteira. É isso que me faz continuar todos os dias."
ANCESTRALIDADE
Sua ancestralidade, diz ela, é a base de sua identidade.
"Minha ancestralidade me lembra diariamente de onde eu vim. Ela me ensinou o valor do trabalho, da humildade, da coragem e da perseverança. Tenho orgulho da minha história e das pessoas que vieram antes de mim. Foram elas que construíram as bases para que hoje eu pudesse estudar, empreender, liderar e contribuir com tantas outras pessoas. Carrego essa herança não apenas na minha aparência, mas principalmente nos valores que orientam a minha vida."
Fonte:Assessoria de Imprensa
Autor:Assessoria de Imprensa
Local:Brasilândia (MS)
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