Um espaço de passagem se transforma em lugar de permanência. Até 30 de junho de 2025, o Salão Principal do Desembarque do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, abriga a exposição “(em) perfeitos”, do artista visual Z´, em uma rara exceção à política cultural do terminal, que tradicionalmente não sedia mostras de arte. A abertura oficial acontece nesta terça-feira (18), com vernissage das 19h às 22h. A visitação é gratuita e pode ser feita diariamente das 6h às 22h.
Com curadoria de Carlos Dimuru, a mostra marca a estreia pública de Z´ nas artes visuais, após décadas de carreira como diretor de arte em grandes agências de publicidade como DM9 e W/McCann, acumulando prêmios em Cannes e publicações internacionais. Agora, aos 60 anos, ele escolhe falar sobre o amor — não o idealizado, mas aquele sustentado pelas falhas que os casais aprendem a acolher.
“(em)perfeitos” reúne cinco pinturas em acrílica sobre tela, com retratos de casais reais e fictícios. Os nomes são escolhidos aleatoriamente, em contraste com a intimidade revelada pelas imagens. A proposta parte de uma pergunta que, segundo o artista, o perseguiu por anos: “Como, entre oito bilhões de pessoas, duas tão diferentes se encontram e permanecem?”
A resposta não está na simetria, mas na imperfeição acolhida.
O amor real não nasce do encaixe perfeito, mas da disposição em se encaixar todos os dias, mesmo nas falhas”, diz Z´.
A palavra que dá título à coleção, com o prefixo “em” entre parênteses, resume essa travessia emocional — não finalizada, mas persistente.
Interatividade com o público é outro destaque. Ao lado de cada obra, QR Codes levam a vídeos curtos com depoimentos de casais respondendo à pergunta: “Quais são as (em)perfeições que unem vocês até hoje?” A proposta é construir uma galeria viva e colaborativa sobre afetos cotidianos — e reais.
A exposição também antecipa o próximo projeto de Z´: a coleção “Faça Amor. Não Faça Guerra”, que terá como tema central a crítica à cultura armamentista. Uma escultura batizada de “Love Bomb” — exibida no centro do espaço — serve como teaser do novo trabalho. A obra-manifesto propõe o amor como a única força capaz de “explodir o ódio, o racismo e o preconceito”, transformando violência em empatia.
Z´ define sua arte como “conceitual, mas acessível”. Inspirado por nomes como Picasso, Banksy, Dali e OBEY, afirma que seus quadros são criados para o “Zé do dia a dia” — e não para museus elitistas. “Meu melhor lugar de exposição são as casas das pessoas”, afirma.
A mostra reforça não apenas a capacidade transformadora da arte, mas também o potencial de espaços não convencionais, como aeroportos, de se tornarem lugares de experiência e conexão — em todos os sentidos.
Fonte:
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