
O professor Nei Alberto Salles Filho, que coordena o Observatório, explica que a demanda surgiu do Fórum das Universidades pela Paz (Foup), do qual a UEPG faz parte, e de um encaminhamento da Reitoria. Segundo ele, o debate existe desde o final de 2024. “A Universidade é muito grande e precisamos perceber onde essas questões de cultura de paz e direitos humanos estão alinhadas. Por isso, compusemos um pequeno grupo de professores de setores diferentes, todos voluntários, para pensar essas questões. Assim surgiu a ideia do Observatório”, recorda o docente.
Estrutura
Obpaz conta com alunos bolsistas e uma página no site institucional. Estão previstas reuniões periódicas e a realização de eventos. “Muitos projetos de extensão da UEPG já integram o Foup. Portanto, o foco do Observatório é reunir tudo o que a Universidade já desenvolve, fazendo com que essas excelentes iniciativas dialoguem entre si, para que possamos qualificar cada vez mais a instituição também nas questões humanas”, comenta Nei.

O chefe do Escritório de Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia da Agipi, Lívio Marcel Queij, esclarece que a participação da Agência segue uma política pública estadual orientada pela Agência de Desenvolvimento Regional Sustentável (Ageuni). “Vemos o Obpaz como uma inovação, não necessariamente tecnológica, mas sim no âmbito da inclusão social e da equidade. O projeto tem uma natureza inicialmente acadêmica, mas com tendência a extrapolar os muros da universidade para a sociedade”, defende o professor.
Autonomia
Todos os projetos vinculados ao Obpaz terão sua autonomia e funcionamento assegurados. Um exemplo é o “Núcleo de Educação para a Paz”, também coordenado pelo professor Nei, que promove palestras e ações de formação para entidades e instituições.
O Núcleo tem 17 anos de atuação e já contribuiu para políticas locais e nacionais que visam consolidar a cultura da paz. Uma de suas ações mais relevantes foi o convite para integrar a Comissão Especial da Câmara dos Deputados, “destinada a elaborar propostas legislativas e a promover a Cultura da Paz”, responsável por inserir o tema na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), em 2018.

Em 2024, com a experiência acumulada desde 2018 e uma base sólida para fundamentar uma política nacional, o Ministério da Educação instituiu o Sistema Nacional de Acompanhamento e Combate à Violência nas Escolas (Snave) e, dentro dele, o Programa Escola que Protege. “Portanto, após esses anos, começam a se configurar ações efetivas para a prevenção das violências e a promoção da Cultura de Paz nas escolas, seguindo a determinação da LDB. Ainda há um longo caminho a percorrer, mas a criação de um sistema nacional e de propostas pedagógicas é um grande passo”, avalia Nei.
Embora o Núcleo seja vinculado ao curso de Educação Física, a ação conta com a participação de alunos de diversas áreas, muitos atraídos pela possibilidade de curricularização da extensão. “Estimula-se a participação voluntária dos acadêmicos, e a presença deles tem sido bastante efetiva e importante”, comenta o docente.
Aplicações práticas

Visão semelhante tem Anne Nicole Macedo Rosa, do curso de Enfermagem, que vê na humanização dos atendimentos e na convivência harmônica no ambiente de trabalho uma forma de aplicar os preceitos da cultura da paz. “A gente cuida, mas às vezes o cuidado é tão técnico, focado na saúde física, que acabamos esquecendo da saúde mental e de sua importância. E não pode ser assim, tanto com o paciente quanto com os profissionais da equipe. É preciso ter respeito pela equipe, trabalhar em conjunto. Então, acredito que a cultura da paz se encaixa nisso também”, defende Anne.
Texto: Helton Costa/Fotos: Aline Jasper e Helton Costa.
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