Bolsistas do Programa de Residência Técnica (Restec) em Desenvolvimento Rural Sustentável do Governo do Paraná começaram terça-feira (1º) as atividades práticas nas unidades do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná ( IDR-Paraná ) na Região Metropolitana de Curitiba e em 22 municípios do Interior.
A iniciativa, com objetivo de fomentar a adoção de tecnologias sustentáveis, gestão eficiente de recursos naturais e geração de renda no campo, é resultado de uma parceria entre a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e o IDR-Paraná, órgão responsável pelas ações de assistência técnica e extensão rural. O curso de pós-graduação em nível de especialização dessa nova Restec é ofertado pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), na modalidade de ensino a distância (EAD).
Os 56 residentes técnicos selecionados ao logo do mês passado têm formação em Agronomia, Engenharia de Alimentos, Medicina Veterinária e Zootecnia. A ideia é alinhar o conhecimento acadêmico às demandas do campo, propondo soluções que impulsionem o desenvolvimento agrário, incluindo desde técnicas sustentáveis de manejo até estratégias de comercialização e agregação de valor. Essa integração entre teoria e prática pode resultar em ganhos de produtividade para as propriedades rurais, combinando rentabilidade e preservação ambiental.
Segundo o diretor de Ensino Superior da Seti, Michel Jorge Samaha, os programas de residência técnica são uma política pública estratégica para qualificar a gestão e promover a inovação no serviço público estadual. "As residências aproximam o conhecimento acadêmico das demandas reais da administração, fortalecem a capacidade técnica dos órgãos públicos e oferecem uma experiência prática altamente qualificada para recém-formados, contribuindo para o desenvolvimento do Estado e a trajetória profissional dos residentes", afirma.
Para a agrônoma Ana Júlia do Nascimento, natural de Morretes, no Litoral do Estado, o programa de Restec representa oportunidade de qualificação e aproximação com a realidade rural. “Acredito que a residência vai me auxiliar a me tornar uma profissional mais preparada, principalmente por proporcionar vivências que nem sempre foram possíveis na formação acadêmica, como o contato direto com o campo e a troca de experiências com profissionais experientes”, diz a residente selecionada para a unidade regional do IDR-PR em Paranaguá.
Ela destaca, ainda, a importância de aprender com as comunidades locais e de contribuir para a região em que nasceu. “Tenho grande expectativa de crescer profissionalmente, propor soluções acessíveis e sustentáveis para a agricultura local e ampliar minha visão social sobre a Agronomia, me preparando para atuar com responsabilidade técnica, sensibilidade social e compromisso com o território onde vivo, contribuindo com o desenvolvimento regional por meio de uma prática consciente e transformadora”, enfatiza.
ENSINO APLICADO– O Curso de Especialização em Desenvolvimento Rural Sustentável da UENP contempla disciplinas como políticas públicas para a agricultura familiar, geotecnologias aplicadas ao campo, manejo de bioinsumos e sistemas agroflorestais. A formação desenvolve competências em análise econômica de propriedades rurais, gestão sustentável de recursos naturais e adaptação às particularidades regionais. As aulas estão previstas para começar no início de agosto.
O agrônomo Gustavo Cecote Garcia, que morava em Diamante do Norte, no Noroeste, e concorreu para a vaga em Toledo, no Oeste do Paraná, reconhece a oportunidade de formação e crescimento. “A residência em desenvolvimento rural sustentável contribui para capacitar os profissionais neste momento em que a agricultura avança na direção de uma produção com uso crescente de bioinsumos e alinhada ao mercado de baixo carbono, o que representa uma oportunidade de crescimento profissional e aprendizado”, destaca o residente.
MULTISSETORIAL– Com essa nova Restec, o Estado passa a contar com 10 programas em execução em diferentes áreas, como cultura, desenvolvimento rural sustentável, economia rural, gestão pública, inovação, políticas de especialização produtiva, obras públicas, saúde pública, segurança pública e turismo. Juntas, essas residências representam um investimento da ordem de R$ 160 milhões do Governo do Estado, cuja maior parte é destinada para o custeio de bolsas-auxílio e auxílio-transporte de um total de 1.254 residentes técnicos.
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