Além do nome trazer enraizado o espirito guerreiro do brasileiro, tem manutenção simples e hoje já é um clássico nacional, com uma legião de fãs e colecionadores, mas como até os clássicos tem problemas…
Lançada em 1973, herdou o motor 1600cc refrigerado a ar do fusca, porém ela tinha mais espaço interno e foi concebida para ser uma evolução dele, trazendo a mesma robustez mecânica e facilidade de manutenção, e sempre com câmbio manual de 4 marchas, levava 23s para sair do repouso até atingir os 100km/h e a velocidade final era de 130 km/h.
Ela, assim como o Fusca, nunca teve muitos opcionais, eles eram basicamente o rádio com toca ficas Blaupunkt, carburação dupla e faróis auxiliares já que ar-condicionado e direção hidráulica, além de raros na época, são basicamente impossíveis no projeto.
Abaixo vamos listar os principais problemas, tenha em mente que na época de sua concepção o Brasil (e o mundo) eram totalmente diferentes, e esses problemas eram totalmente aceitáveis.
Apesar de ter um consumo razoável para a época, para os dias atuais já não é bem assim, ainda mais se for considerar a relação de consumo x desempenho, na cidade ela faz 8-9 km/l e 11 km/l na estrada.
Essa é a parte mais triste, para os dias atuais chega a ser inviável utilizar o carro na rodovia diariamente, por exemplo, com a aceleração de 0 a 100 km/h em quase meio minuto e velocidade máxima de 130 km/h é basicamente impossível realizar uma ultrapassagem.
No motor, mangueiras não originais e de material plástico que ressecam e rasgam, despejando combustível no motor, que, quando quente, pega fogo.
Se você já dirigiu um Fusca ou uma Brasilia, sabe bem do que estou falando.
Para manter o carro andando em linha reta, precisa ficar girando o volante de um lado para outro, e as rodas só respondem à mudança de direção no volante após alguns instantes, devido à enorme folga na direção.
Eventualmente sua Brasília pode apagar e parar de funcionar por alguns minutos, e “milagrosamente” voltar a funcionar, o causador disso?
A bobina, que naturalmente já esquenta, e ainda era montada em uma região quente próxima ao motor, existem adaptações para acabar com esse problema, ou andar com o bom e velho pano molhado no carro, e colocá-lo sobre a bobina para refrigera-la se o carro parar.
A Brasília te coloca em perrengues nas curvas, é muito fácil se perder na direção se não estiver habituado a conduzi-la, e assim como a estabilidade, a frenagem é pouco eficiente, travando as rodas dianteiras com frequência.
Nem sei por onde começar a falar da ausência de segurança dela (e de todos os carros dessa época), airbags e ABS só se for em algum filme de ficção científica ou em carros gringos de altíssimo luxo do final da década de 70.
Além do tanque de combustível que fica na dianteira, e de metal, numa batida pode rachar, derramar combustível e ainda gerar faísca, tudo isso ao mesmo tempo.
Já não existe Brasília nova, se quiser comprar uma, o máximo que vai encontrar é uma relíquia com baixa quilometragem, mas ainda assim é uma idosa, a lataria, motor, acabamentos já sofreram com a ação do tempo, fique atento ao assoalho que costuma trincar, o principal foco de trincas é próximo ao pedal de embreagem e no pé direito do banco do passageiro dianteiro.
O motor ficava no “porta-malas” e mesmo com algum isolamento acústico ainda fica martelando dentro da cabine, tornando qualquer conversa dentro do habitáculo um desafio.
Na época de seu lançamento, a VW Brasília cumpriu sua proposta e se tornou uma sucessora digna do Fusca, com diversas melhorias na usabilidade, porém sem grandes melhorias estruturais e mecânicas, ficando obsoleta bem mais rápido que seu irmão e hoje traz seu status de clássica, o que permite que, mesmo com tantos problemas nos dias de hoje, ainda seja um carro desejado, pela sua história e as histórias que proporciona pra quem o possui, é aquela velha história, só quem já teve um clássico, sabe como é.
Se está pensando em ter uma para dar rolê no fim de semana ou usar esporadicamente durante a semana, vá em frente, vai ser uma experiência única na sua vida, mas comprar uma para ir trabalhar todo dia, principalmente se rodar numa rodovia, não é uma boa idéia, principalmente pela segurança (ou falta dela), qualquer acidente envolvendo um clássico é mais grave, sem contar que o carro que você desliga hoje, não é o mesmo que você liga amanhã, tem dias que ele resolve não pegar e te deixar na mão, por coisas bobas, que apesar de baratas, são incômodas e podem arruinar os seus planos.
Fonte: https://www.noticiasautomotivas.com.br/
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