Uma pesquisa da MIT Technology Review, produzida a partir do case da Sabesp em São Paulo, aponta que o acesso ao saneamento básico traz benefícios sociais e econômicos a diversos segmentos da sociedade, contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento do país. O levantamento reúne estudos, entrevistas e análises sobre os efeitos esperados do plano de expansão dos serviços de água e esgoto no estado. Desde 2024, a desestatização da Sabesp, realizada pelo Governo de São Paulo, permitiu ampliar em 120% o volume de investimentos em saneamento básico.
Só em 2025, São Paulo recebeu o maior investimento da história para ampliar o acesso da população à água e esgoto tratado. Foram R$ 15,2 bilhões aplicados, ante R$ 6,9 bilhões do ano anterior. O plano de investimento da Companhia prevê o montante de R$ 260 bilhões até 2060 nos mais de 370 municípios atendidos. Isso traria, segundo o levantamento, um impacto estimado de R$ 330 bilhões no PIB brasileiro no mesmo período.
LEIA TAMBÉM: Moradores de Mairiporã passam a ter água tratada e rede de esgoto após décadas de espera
Um dos números mais relevantes está na frente ambiental. A Sabesp projeta que o avanço da universalização, combinado à adoção de rotas tecnológicas menos emissoras nas estações de tratamento de esgoto, poderá reduzir em até 9,1 milhões de toneladas de CO₂ equivalente até 2050.
Para dimensionar esse impacto, as emissões do município de São Paulo em 2024 somaram 14,70 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, segundo a plataforma SEEG, do Observatório do Clima. A redução projetada pela Sabesp corresponde, portanto, a cerca de 62% das emissões anuais da capital paulista, uma comparação de ordem de grandeza que ajuda a mostrar o peso climático do saneamento.
[Post Instagram]
Neste sentido, o saneamento atua como um vetor de mitigação climática. O ponto central é que o esgoto não coletado ou não tratado também emite gases de efeito estufa, mas o faz de maneira difusa, em rios e corpos d’água, sem possibilidade de controle operacional. Ao levar esse esgoto para dentro das estações de tratamento, a emissão passa a ser mensurável, gerenciável e passível de redução por meio de tecnologia.
Segundo estudo técnico, os efluentes representam 88% das emissões de gases de efeito estufa da Sabesp. Por isso, a estratégia climática da companhia passa diretamente pela expansão do tratamento de esgoto e pela modernização das maiores ETEs da Região Metropolitana de São Paulo, como ABC, Barueri, São Miguel, Suzano e Parque Novo Mundo, que concentram cerca de 60% das emissões associadas ao tratamento de esgoto.
LEIA TAMBÉM: SP Conecta reúne lideranças para debater economia verde
Além da redução de até 9,1 milhões de toneladas de CO₂e até 2050, a Sabesp estima que já evitou 78,6 milhões de toneladas de CO₂ desde o início de suas atividades até 2022 e que esse total poderá chegar a 227 milhões de toneladas até 2050, em comparação com um cenário sem atuação da companhia.
A inovação aparece como condição para cumprir a meta de universalização até 2029, quatro anos antes do prazo nacional previsto pelo Marco Legal do Saneamento. Um dos exemplos é a adoção da tecnologia de lodo granular na ETE Parque Novo Mundo. A solução foi escolhida porque modelos tradicionais não seriam suficientes em custo ou prazo.
A medição inteligente também é apontada como uma frente estratégica. A Sabesp firmou contrato de mais de R$ 4 bilhões para desenvolver, ao longo do tempo, o maior parque de medição inteligente de água do mundo, voltado inicialmente a consumidores da cidade de São Paulo e de São José dos Campos.
[Post Instagram]
O estudo “Impactos Socioeconômicos da Desestatização da Sabesp” estima que os investimentos da companhia terão influência direta no PIB brasileiro até 2060, gerando em torno de 4,6 milhões de empregos.
O efeito vai além da construção de redes, estações e obras de infraestrutura. O saneamento tem impacto sobre a renda e a produtividade da população. Um dos dados mais fortes é a diferença média de rendimento entre pessoas com e sem acesso ao saneamento básico: R$ 3.359 para quem vive em áreas atendidas, contra R$ 2.103 para quem não tem acesso.
A falta de saneamento amplia a exposição a doenças, aumenta faltas ao trabalho, reduz a produtividade e afeta especialmente trabalhadores informais, que muitas vezes deixam de receber quando não conseguem trabalhar. A universalização, portanto, não atua apenas como obra pública, mas como base para uma economia mais produtiva e menos desigual.
Outro destaque do estudo é a relação entre saneamento e desempenho escolar. Segundo a publicação, jovens que vivem em domicílios com banheiro próprio obtêm notas superiores no ENEM, especialmente em matemática e redação. O dado ajuda a mostrar como a universalização afeta dimensões que normalmente não são associadas ao setor.
LEIA TAMBÉM: Entenda como a alta de 120% nos investimentos em saneamento em SP melhora renda e saúde da população
A explicação passa por saúde, frequência escolar e ambiente de estudo. Crianças e adolescentes expostos a doenças de veiculação hídrica faltam mais às aulas, têm maior dificuldade de concentração e convivem com condições ambientais que prejudicam o aprendizado.
De acordo com os dados do Painel Saneamento Brasil, alunos com acesso a saneamento em casa têm escolaridade média de 8,49 anos, contra 5,31 anos entre aqueles sem acesso. A diferença reforça a ideia de que água tratada e esgoto coletado não são apenas serviços urbanos, mas instrumentos de mobilidade social.
Saúde pública e economia para o Estado
A saúde é o impacto mais direto da universalização. Doenças como diarreia, leptospirose e dengue estão associadas à falta de saneamento e geram custos para o sistema público. A Organização Mundial da Saúde estima que, para cada US$ 1 investido em água e saneamento, há economia de US$ 4,3 em custos de saúde no mundo.
No caso do Rio Pinheiros, usado como exemplo de impacto mensurável, os benefícios sociais e econômicos da expansão do saneamento somaram cerca de R$ 25 bilhões, superando em quase R$ 8 bilhões os custos estimados no mesmo período. A experiência é apresentada como referência para o Integra Tietê, programa que busca acelerar a despoluição da bacia do Alto Tietê e ampliar a coleta e o tratamento de esgoto em escala metropolitana.
A expansão dos serviços ocorre em meio ao aumento dos investimentos da Sabesp. Em 2025, foram R$ 15,2 bilhões aplicados pela companhia, valor 120% maior em comparação ao ano anterior. Os investimentos têm como foco a ampliação da cobertura de saneamento e a melhoria dos padrões de qualidade dos serviços.
A coleta e o tratamento de esgoto chegaram a mais de 4,3 milhões de pessoas com a expansão de ligações da Sabesp. O cumprimento das metas de acesso à água, coleta e tratamento de esgoto alcançaram, respectivamente, 87%, 77% e 71% ao fim do primeiro trimestre de 2026.

Legislativo - PR Deputado Fabio Oliveira (Novo) destaca papel do CREA no desenvolvimento das cidades
Rondônia Governo de RO entrega viaturas semiblindadas e amplia proteção aos profissionais da segurança pública
Desenvolviment... Curso Cidadão Sustentável ganha força e ultrapassa as divisas do Paraná
Cidades Interdição temporária de ruas para eventos depende de autorização dos órgãos competentes
Lauro de Freitas Prefeitura de Lauro de Freitas divulga resultado preliminar do credenciamento de ambulantes para o Pedrão 2026
Piauí OPA 2026-2027: votação digital segue aberta para moradores de Teresina, Parnaíba, Picos, Piripiri e Floriano; veja como participar Mín. 17° Máx. 26°
Mín. 16° Máx. 26°
Tempo limpoMín. 16° Máx. 26°
Parcialmente nublado
Mundo - Mercado Imobiliario Incorporadora projeta crescer 25% nas vendas em 2026
Mundo - Eleições 2026 Eleições 2026: pesquisa em Goiás mostra corrida ao governo, Senado e aprovação da gestão estadual
Mundo - Imigrantes EUA Nova lei do Kansas permite que a polícia firme acordos com o ICE sem supervisão do condado
Mundo - Finanças e Contábil O crédito tributário que o seu RH desconhece !!