Presença garantida nas festas juninas, o milho não é apenas um símbolo cultural ou um ingrediente tradicional de receitas como pamonha, curau e canjica. Pesquisas recentes mostram que o alimento também pode trazer benefícios importantes para a saúde intestinal, cardiovascular e metabólica.
Estudos publicados nas revistas científicas Food Science and Human Wellness e Journal of Functional Foods indicam que compostos presentes no milho integral ajudam a equilibrar a microbiota intestinal, favorecem bactérias benéficas do organismo e podem contribuir para a prevenção de doenças crônicas.
Segundo o coordenador de Nutrição da Rede Total Care, Richard Costa, o alimento reúne características que o tornam uma opção interessante não apenas durante as festas juninas, mas ao longo de todo o ano.
"O milho é fonte de fibras insolúveis que ajudam a regular o trânsito intestinal e atuam como prebióticos, alimentando as bactérias benéficas do intestino. Também fornece carboidratos complexos e amido resistente, que garantem energia de forma mais estável, sem picos abruptos de glicose. Além disso, é um alimento naturalmente livre de glúten e rico em compostos fenólicos com ação antioxidante", explica.
Os pesquisadores destacam que o milho integral concentra uma série de substâncias bioativas, como fibras, carotenoides, vitamina E, fitosteróis, ácidos fenólicos e amido resistente. Grande parte desses nutrientes está presente no farelo e no gérmen do grão, porções que costumam ser removidas em processos de refinamento.
Entre os compostos que mais têm chamado a atenção da ciência estão os arabinoxilanos, fibras presentes na parede celular do milho. Estudos apontam que elas possuem importante ação prebiótica, estimulando o crescimento de microrganismos benéficos e contribuindo para o equilíbrio da microbiota intestinal.
Além de favorecerem a saúde digestiva, essas fibras parecem exercer efeitos positivos sobre a integridade da barreira intestinal, a resposta imunológica e o metabolismo energético.
O milho também oferece antioxidantes naturais. As variedades amarelas são fontes de luteína e zeaxantina, carotenoides associados à saúde ocular. Já os milhos roxos, azuis e vermelhos concentram antocianinas, substâncias com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.
Outro destaque são os fitosteróis, compostos vegetais que podem auxiliar na redução dos níveis de colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim. Quando elevado, o LDL favorece o acúmulo de gordura nas artérias e aumenta o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
O alimento ainda contém amido resistente, nutriente associado a um melhor controle da glicemia e ao aumento da sensação de saciedade.
Apesar dos benefícios, especialistas alertam que o consumo deve ocorrer dentro de uma alimentação equilibrada. "Pessoas com diabetes precisam ter atenção às porções e combinar o milho com fontes de proteína e fibras para reduzir o impacto glicêmico da refeição. Já as versões industrializadas devem ser evitadas por apresentarem excesso de sódio e menor quantidade de nutrientes. Também existe uma contraindicação para o grupo raro de pessoas com alergia à proteína do milho", afirma Richard.
A ciência reforça que os benefícios observados estão relacionados principalmente ao consumo do milho em sua forma integral ou minimamente processada. A recomendação é incluir o alimento em uma dieta rica em vegetais e fibras, sem atribuir a ele efeitos isolados ou milagrosos.
Para quem não quer abrir mão das receitas típicas do São João, o nutricionista do Hospital Monte Klinikum, Diego Torquato indica algumas substituições podem tornar os preparos mais equilibrados.
"No bolo de milho, é possível reduzir o açúcar e utilizar farelo de aveia no lugar de parte da farinha. Na canjica, o leite condensado pode ser substituído por leite em pó desnatado. Já a pamonha e o curau podem ser preparados com adoçantes culinários e leite desnatado ou vegetal. A canela também é uma aliada por ajudar no controle glicêmico", orienta.
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