O movimento sindical brasileiro perdeu um de seus expoentes. Morreu neste sábado (1º) Luiza Batista Pereira, presidenta do Conselho Nacional dos Trabalhadores Domésticos (CNTD) e coordenadora-geral da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad). Há anos, ela se tratava de um câncer.
Em nota conjunta, a Fenatrad e a CNTD lamentaram a morte de uma das principais referências na luta pelos direitos dos trabalhadores domésticos no Brasil e no exterior. Segundo as entidades, Luiza Batista foi uma das maiores líderes sindicais do movimento das trabalhadoras domésticas na história da América Latina.
“A sua trajetória pelas trabalhadoras domésticas, mulheres e população negra é um grande exemplo para continuarmos trilhando este caminho que ela fez tão bem, defendendo com unhas e dentes os direitos da categoria das trabalhadoras domésticas. Ela sempre estava nas lutas e debates. Portanto, Luiza Batista, hoje e sempre, presente!”, afirmou a presidenta de honra da Fenatrad”, Creuza Oliveira.
Creuza Oliveira lembrou que Luiza Batista iniciou a trajetória no movimento sindical das trabalhadoras domésticas em 2006, tornando-se, em pouco tempo, uma das maiores lideranças da categoria da história do país.
O SOS Corpo Instituto Feminista também lamentou a morte. “Uma trabalhadora que atuou no presente de forma crítica e solidária para construir outro futuro para muitas de nós. Sua memória permanecerá em cada uma que sonhou junto com ela em outro mundo para as Trabalhadoras Domésticas”, destacou a entidade nas redes sociais.
Nascida em 1956 em São Lourenço da Mata (PE), Luiza Batista Pereira era a oitava e última filha de trabalhadores rurais. O pai trabalhava no corte de cana-de-açúcar. Aos 8 anos, a família mudou-se para Recife. Um ano mais tarde, aos 9 anos, foi levada por uma amiga da mãe para cuidar de uma criança de 5 anos. Segundo Luiza, ela não recebia salário, apenas comida, roupa e cestas básicas para a família.
Nos anos 1980, atuou na luta por moradia, no movimento que deu origem ao bairro do Passarinho, nos limites do Recife, Olinda e Paulista. No bairro, onde morou até perto do fim da vida, ajudou a fundar o Espaço Mulher, com a líder feminista Edicléa Santos.
Por meio do Projeto Trabalho Doméstico Cidadão, voltou a estudar em 2006. Nas aulas, conheceu diretoras do Sindidomésticas de Pernambuco, tornando-se presidenta da entidade várias vezes. Em 2011, organizou o 10º Congresso Nacional das Domésticas, na capital pernambucana. Em 2016, foi eleita presidenta da Fenatrad.
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