Criado em 2021, o Núcleo de Operações com Cães (NOC), da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), tem desempenhado papel estratégico no fortalecimento da segurança do sistema prisional paraense. Vinculado ao Grupo de Ações Penitenciárias (GAP), o núcleo atua em atividades de escolta, intervenção, acompanhamento de visitas familiares, detecção de ilícitos e apoio aos procedimentos operacionais realizados nas unidades prisionais.
Atualmente, o canil tem seis cães distribuídos em diferentes especialidades: dois cães de intervenção, dois cães de guarda e dois cães de detecção. O trabalho é realizado por policiais penais especializados, responsáveis tanto pelo treinamento quanto pelos cuidados diários dos animais. O grupo é composto por Thunder e Hórus, voltados à intervenção; Athos e Baruck, destinados à guarda; e Ayla e Gamora, utilizadas em ações de detecção.
A coordenadora do NOC, policial penal Josiane do Socorro destaca que cada especialidade desempenha um papel fundamental dentro da estratégia de segurança da Seap.
“Os cães de detecção atuam na prevenção da entrada de ilícitos nas unidades prisionais, enquanto os cães de intervenção auxiliam nos procedimentos de contenção. Já os cães de guarda executam um importante trabalho de prevenção de fugas”, afirmou.
Seleção dos cães
O ingresso de novos animais no NOC ocorre, por meio de um processo que inclui seleção, avaliação sanitária, adaptação e formação operacional. O objetivo é garantir cães aptos para o serviço policial. Os animais podem ser incorporados ao plantel por aquisição direta, doação, convênios com outras instituições, posse temporária ou definitiva, além da reprodução própria do canil.
Durante a seleção, são avaliadas características como sociabilidade, idade, capacidade de suportar situações de estresse, temperamento e impulsos de trabalho. Há ainda preferência por raças amplamente reconhecidas pela aptidão para a atividade policial, como o Pastor Belga Malinois e o Pastor Alemão, que se destacam pela inteligência, resistência física e facilidade de treinamento.
Como parte do planejamento de renovação do plantel, o núcleo realiza atualmente o trabalho de base com o filhote de Pastor Alemão K9 Hórus, que está sendo preparado para atuar futuramente nas atividades de intervenção, seguindo o cronograma padrão de formação biológica e operacional.
Formação e preparação
Por trás da atuação dos cães existe um processo técnico que começa ainda nos primeiros meses de vida dos animais. O policial penal, responsável pelo adestramento do NOC, Craveiro, explica que a fase inicial é decisiva para o desenvolvimento do cão de trabalho.
“O cão é como um livro em branco. A partir desse momento, começamos a escrever a história daquele animal, uma história que irá acompanhá-lo por toda a vida”, destacou.
Nesse período, conhecido como fase crítica do desenvolvimento, os filhotes passam por um intenso processo de socialização e ambientação. São apresentados gradualmente a diferentes sons, cenários e estímulos que farão parte da rotina operacional, incluindo movimentação de pessoas e veículos, ruídos intensos, disparos de arma de fogo e sons característicos das unidades prisionais, como o fechamento de portões de ferro.
Todo o treinamento é baseado em técnicas de reforço positivo, método que consiste em recompensar comportamentos desejados por meio de brincadeiras, brinquedos e outras experiências agradáveis. O objetivo é garantir que os cães desenvolvam confiança, estabilidade emocional e capacidade de atuação em situações adversas.
O tempo médio de formação de um cão policial varia entre 18 e 24 meses, período em que o animal passa por etapas progressivas de desenvolvimento físico e mental até atingir a maturidade operacional.
A preparação também inclui a exposição controlada a sons de armamento, como a espingarda calibre 12, utilizada em procedimentos operacionais dentro das unidades prisionais. Durante os exercícios, os filhotes são estimulados a brincar e interagir normalmente, criando associações positivas com os estímulos sonoros.
Atuação estratégica nas unidades prisionais
Os cães de guarda Athos e Baruck atuam há aproximadamente um ano e meio no Complexo Penitenciário de Santa Izabel. Durante o período noturno, realizam patrulhamento de áreas estratégicas da unidade, contribuindo para a prevenção de ocorrências e reforçando a segurança externa.
Segundo a coordenação do NOC, a atuação dos cães de guarda tem contribuído significativamente para o reforço da segurança, sem registro de ocorrências de fuga no período em que os animais permanecem em atividade na área de patrulhamento.
Já os cães de intervenção atuam diretamente dentro das unidades prisionais, auxiliando em revistas gerais, movimentação de custodiados, contenção da massa carcerária e demais procedimentos operacionais. Além da capacidade de resposta em situações críticas, a presença dos animais exerce forte efeito dissuasório, contribuindo para a manutenção da ordem e da segurança.
O trabalho desenvolvido pelo NOC conta ainda com ações complementares de socialização e bem-estar animal, como o projeto Reinserção, da Seap, desenvolvido em parceria com o Instituto Federal do Pará (IFPA). A iniciativa é voltada ao adestramento básico de cães com foco em convivência familiar e adoção responsável, facilitando sua adaptação a novos lares.
Texto: Fernanda Ferreira | estagiária, com supervisão de Kaila Fonseca / Ascom Seap
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